Pois agora eu necessito julgar todos os estabelecimentos/embalagens que fazem isso!!! Amei o conteúdo, nunca tinha parado para pensar à respeito e agora pretendo lembrar disso sempre antes de usar uma tipografia que pode carregar racismo velado.
Escolher fontes tem sido algo muito mais ativo pra mim, não paro mais em algo que acho bonito e que tem a "cara do projeto". Tento me questionar sobre o que aquela tipografia implica politicamente e socialmente, acredito que isso também que faz um bom design. Fico me perguntando se não é válido ainda sim usar essas fontes étnicas para dizer alguma coisa, mesmo que de forma irônica. Acho que como designer isso seria andar na lamina, enfim, ainda não me sinto preparado pra isso. Texto maravilhoso, Paula!
fico pensando nisso tbm! o movimento feminista, negro e queer conseguiu desconstruir ferramentas linguísticas que os humilhavam e se apropriar delas, né. é um movimento difícil que requer esforço e estômago, mas, dependendo da situação, é possível! é o tipo de coisa que deixaria barthes e derrida orgulhosos
Paula, você é fonte de MUITA luz!!! Fico sempre embasbacada. Saí do twitter naquela debandada geral de quando a rede ficou suspensa e nunca mais voltei; você é das pessoas que sinto mais saudades, pois amava ler seus takes (hot or not). Certíssima e pontual como sempre!!
Ótimo texto Paula, como sempre bons post por aqui. Certamente eu já devo ter caído na tentação de usar uma fonte "emulando" alguma alfabeto asiático, sem entender o aspecto colonial e racista envolvido nessa escolha.
Os livros do Ruben Pater tem outros exemplos nessa linha, né?
obrigada!! esse é o tipo de assunto que se você não olha ao redor, parece que não está ali. No Políticas do Design o Ruben Pater coloca uns exemplos disso sim!! Tem um capítulo sobre isso, senão me engano. Eu não o citei porque eu não sou fã dos livros dele... assunto para outros textos kakakkk
Eu acredito e concordo em quase tudo que ela disse sobre o racismo e a implementação subjetiva dele na cultura, isso não é novidade (vide Guerreiro Ramos). Mas discordo completamente do texto. Ela começa criticando quem discorda dela, e os rotula de tuitteiros quando ela mesma usou a plataforma X para divulgar suas ideias. Acredito que a geração de hoje não está muito preparada para a controvérsia quando escreve só esperando aprovação. Sou designer há mais de 30 anos e não vejo problemas em caracterizar uma fonte embasada em um estilo criado no próprio país de origem. Acredito que seja ainda muito criativo poder gerar fontes do alfabeto latino com inspirações cirílicas (russas) ou inspirações em caracteres logográficos (como mandarim, japonês ou coreano). Acho inválida essa patrulha, pois acredito que os textos venham mais como homenagem do que crítica velada. Agora, se é bonito ou não é subjetivo, mas criar fontes com embasamento regional passa uma mensagem funcional de sua origem sem qualquer tipo de segregação.
Massa entrar nessa discussão pra refletir o que fazemos projetando, seja letras ou layouts quaisquer, e o que muitas vezes não paramos pra questionar. Lembro do choquinho quando li o texto que vc cita sobre as fontes 'Chop Suey', e como sempre a gente afia o olhar pra questionar tudo que os olhos atingem, né...
muito interessante a publicação, me fez refletir muito. No fim do seu texto você escreveu "Da mesma forma que tipografias podem ser desenhadas para perpetuar preconceitos, tipos também podem ser criados para valorizar culturas locais, demonstrar a complexidade de um povo, apreciar o lindo legado de uma escrita milenar". Você tem algum exemplo de tipografia assim?
acho completamente necessário a reflexão mas aqui, totalmente desnecessário em alguns pontos citados de forma superficial. o conhecimento crítico muitas vezes não correlaciona com aprofundamento dos fatos, mas de qualquer forma, é importante não deixar escapar essa observações.
Muito legal o texto. Uma dúvida, se a letra ou a tipografia é uma abstração máxima, em que momento exatamente ela vira racismo? e quem determina tb? o designer, o contexto de uso ou o leitor?
Eu queria genuinamente entender melhor como seria na prática criar tipografias para valorizar as culturas locais. O texto foi bem claro em explicar o problema, mas senti muito lacunoso na hora de apresentar a proposta de solução. Dúvida honesta aqui: como você pensaria nesse problema de representação gráfica?
Ao mesmo tempo que o racista faz uma caricatura daquele que quer dominar, o grupo subjugado também reage de maneiras diversas. Por exemplo, lembro de ter já ouvido que alguns povos originários norte americanos gostam de ser chamados de índios como um lembrete da estupidez do colono. Também que imigrantes árabes que também sofreram alguma segregação no Brasil, se apropriam dos nossos esteriótipos ao decorar seus negócios. Nos rimos, eles lucram.
Também é possível ressignificar esses símbolos. A arte está em usá-los com propósito.
Pois agora eu necessito julgar todos os estabelecimentos/embalagens que fazem isso!!! Amei o conteúdo, nunca tinha parado para pensar à respeito e agora pretendo lembrar disso sempre antes de usar uma tipografia que pode carregar racismo velado.
é sobreeeee!!
Escolher fontes tem sido algo muito mais ativo pra mim, não paro mais em algo que acho bonito e que tem a "cara do projeto". Tento me questionar sobre o que aquela tipografia implica politicamente e socialmente, acredito que isso também que faz um bom design. Fico me perguntando se não é válido ainda sim usar essas fontes étnicas para dizer alguma coisa, mesmo que de forma irônica. Acho que como designer isso seria andar na lamina, enfim, ainda não me sinto preparado pra isso. Texto maravilhoso, Paula!
fico pensando nisso tbm! o movimento feminista, negro e queer conseguiu desconstruir ferramentas linguísticas que os humilhavam e se apropriar delas, né. é um movimento difícil que requer esforço e estômago, mas, dependendo da situação, é possível! é o tipo de coisa que deixaria barthes e derrida orgulhosos
Paula, você é fonte de MUITA luz!!! Fico sempre embasbacada. Saí do twitter naquela debandada geral de quando a rede ficou suspensa e nunca mais voltei; você é das pessoas que sinto mais saudades, pois amava ler seus takes (hot or not). Certíssima e pontual como sempre!!
Ótimo texto Paula, como sempre bons post por aqui. Certamente eu já devo ter caído na tentação de usar uma fonte "emulando" alguma alfabeto asiático, sem entender o aspecto colonial e racista envolvido nessa escolha.
Os livros do Ruben Pater tem outros exemplos nessa linha, né?
obrigada!! esse é o tipo de assunto que se você não olha ao redor, parece que não está ali. No Políticas do Design o Ruben Pater coloca uns exemplos disso sim!! Tem um capítulo sobre isso, senão me engano. Eu não o citei porque eu não sou fã dos livros dele... assunto para outros textos kakakkk
Eu acredito e concordo em quase tudo que ela disse sobre o racismo e a implementação subjetiva dele na cultura, isso não é novidade (vide Guerreiro Ramos). Mas discordo completamente do texto. Ela começa criticando quem discorda dela, e os rotula de tuitteiros quando ela mesma usou a plataforma X para divulgar suas ideias. Acredito que a geração de hoje não está muito preparada para a controvérsia quando escreve só esperando aprovação. Sou designer há mais de 30 anos e não vejo problemas em caracterizar uma fonte embasada em um estilo criado no próprio país de origem. Acredito que seja ainda muito criativo poder gerar fontes do alfabeto latino com inspirações cirílicas (russas) ou inspirações em caracteres logográficos (como mandarim, japonês ou coreano). Acho inválida essa patrulha, pois acredito que os textos venham mais como homenagem do que crítica velada. Agora, se é bonito ou não é subjetivo, mas criar fontes com embasamento regional passa uma mensagem funcional de sua origem sem qualquer tipo de segregação.
Massa entrar nessa discussão pra refletir o que fazemos projetando, seja letras ou layouts quaisquer, e o que muitas vezes não paramos pra questionar. Lembro do choquinho quando li o texto que vc cita sobre as fontes 'Chop Suey', e como sempre a gente afia o olhar pra questionar tudo que os olhos atingem, né...
TEXTO FODA
omg donna haraway mentioned!!! brilhante texto
é a mãe!! obrigadaaaa
muito interessante a publicação, me fez refletir muito. No fim do seu texto você escreveu "Da mesma forma que tipografias podem ser desenhadas para perpetuar preconceitos, tipos também podem ser criados para valorizar culturas locais, demonstrar a complexidade de um povo, apreciar o lindo legado de uma escrita milenar". Você tem algum exemplo de tipografia assim?
Eu fiquei com a mesma dúvida!
acho completamente necessário a reflexão mas aqui, totalmente desnecessário em alguns pontos citados de forma superficial. o conhecimento crítico muitas vezes não correlaciona com aprofundamento dos fatos, mas de qualquer forma, é importante não deixar escapar essa observações.
Muito legal o texto. Uma dúvida, se a letra ou a tipografia é uma abstração máxima, em que momento exatamente ela vira racismo? e quem determina tb? o designer, o contexto de uso ou o leitor?
Eu queria genuinamente entender melhor como seria na prática criar tipografias para valorizar as culturas locais. O texto foi bem claro em explicar o problema, mas senti muito lacunoso na hora de apresentar a proposta de solução. Dúvida honesta aqui: como você pensaria nesse problema de representação gráfica?
Meu irmão quando trabalhava com publicidade digital sempre reclamava das fontes "chop-suey" , no que ele estava corretíssimo.
Muito bom artigo!
eu nao tava viajando, eu sabia mas nao sabia expor em pensamento concreto. Muito bom de ler.
Belo texto, nos dando coisas a que pensar. Obrigada!
Ao mesmo tempo que o racista faz uma caricatura daquele que quer dominar, o grupo subjugado também reage de maneiras diversas. Por exemplo, lembro de ter já ouvido que alguns povos originários norte americanos gostam de ser chamados de índios como um lembrete da estupidez do colono. Também que imigrantes árabes que também sofreram alguma segregação no Brasil, se apropriam dos nossos esteriótipos ao decorar seus negócios. Nos rimos, eles lucram.
Também é possível ressignificar esses símbolos. A arte está em usá-los com propósito.